A implementação de trens como meio de mobilidade ganhou muita força no âmbito do Governo Federal anterior. O ministério da Infraestrutura, à época comandado por Tarcísio de Freitas (atual governador de São Paulo), que enxergou essa demanda histórica como uma prioridade. Criando-se assim o Marco das Ferrovias. Onde concessões foram renovadas e novos projetos de melhoria e ampliação da malha ferroviária Brasileira foram acertados. Graças a isso muitos projetos já estão em fase avançada de execução.
Um trem que já deveria estar rodando
Ocorre que, um destes projetos, um trem de passageiros interligando Brasília, Plano Piloto, ao Entorno Sul do DF, segue sem a devida definição. Este, que era para ter entrado fase de testes, e posterior operação comercial, na gestão passada, Até agora não saiu do papel.
Neste momento, mais estudos estão em andamento para avaliar a viabilidade da introdução deste trem. Algo que já havia sido concluído e mostrado o quão benéfico esse sistema de transporte será para a região. Contudo diversos entraves e questões fizeram com que este trem nunca entrasse no trilhos.
O principal entrave que culminou na não existência, se quer, da fase de testes do trem foi o fato de que quem iria operá-lo deveria ser a CBTU – Companhia Brasileira de Trens Urbanos. Ao menos seria assim em sua fase de testes. E para que o mesmo pudesse ocorrer a CBTU teria de trazer para a região alguma de suas composições de VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) já existentes em seu parque de material rodante.
A CBTU e uma empresa estatal criada para operar trens de passageiros metropolitanos em diversas cidades e estados do Brasil. Atualmente a CBTU atua em alguns Estados do Nordeste. Entretanto, ela já operou trens urbanos no Rio de Janeiro, São Paulo e mais recentemente na capital mineira, Belo Horizonte. Este último trecho foi privatizado a não muito tempo. Inicialmente seria a CBTU que ficaria responsável pelo trem inter metropolitano ligando o DF e Entorno.
Ocorre que a CBTU não possui, já há algum tempo, um parque tão vasto de material rodante operacional. E para operar o trem entre Brasília e Entorno Sul, a empresa teria de deslocar alguma composição operacional, de uma de suas unidades, para cá.

Existe outro fator que é a malha ferroviária da região. Construída pela extinta estatal RFFSA (Rede Ferroviária Federal S/A), ela nunca foi eletrificada, tampouco duplicada. Sendo via singela, com bitola de 1m e tendo 3 pátios, entre Brasília (DF) e Luziânia (GO). O que correspondem a 3 antigas estações, Luziânia / Ocidental, Bernardo Sayão no Park Way / Guará II e Rodoferroviária no centro de Brasília (na ponta oeste do Eixo Monumental. Estes fatores acabam por limitar as possibilidades de implantação de um trem por aqui. Pois a CBTU iria ter de deslocar uma composição do seu parque de tração a disel, de uma de suas unidades do Nordeste. Estas que já sofrem com a carência de mais trens em operação. Outro ponto chave nisso tudo é o fato de não haver ligação direta, por via férrea, entre Brasília e algum estado do Nordeste atendido pela CBTU. O que demandaria de um complexo sistema de transporte por via rodoviária.

Pois, na época do anúncio da fase de testes do tem de Brasília, onde a CBTU informou que iria ter de deslocar um dos seus VLTs de uma das unidades do nordeste, isso gerou um tremendo descontentamento por parte das comunidades locais atendidas pela empresa. No fim das contas, até hoje, 2024 este trem ainda não saiu do papel.
Um “novo” plano para as Ferrovias
O Governo Federal planeja lançar ainda este ano uma estruturação do Plano Nacional de Ferrovias por meio da Secretaria Nacional de Transporte Ferroviário. A análise do transporte de passageiros por ferrovia está em curso. Ao final, o decreto com a versão final do projeto será apresentado e submetido à Presidência da República. Ou seja, mesmo com o Marco das Ferrovias criado no governo passado, a atual gestão quer porque quer rever as coisas para criar algo novo pra chamar de seu.
Enquanto isso, boa parte dos que esperavam pelo crescimento do transporte ferroviário de passageiros comercial no Brasil, ligando diversas regiões. Voltam a terem dúvidas se, realmente, os projetos que já haviam sido anunciados o início de suas implantações sairão mesmo do papel.
Certo é que no Estado de São Paulo, diferente do que está há ocorrer aqui no Centro Oeste, mais precisamente no DF e em Goiás, os projetos de trens de passageiros estão a plena marcha. O TIC, Trem Intercidades, está em fase de implantação e até em 2031 deve estar em plena operação. Ligando a capital paulista há diversas outras cidades do interior.

